quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Agatha Christie - Xenofobia, velhice e motivação (box 5)




Olá, seres do mundo todo. Adivinhem só quem voltou a aparecer no blog. Sim! A rainha do crime. Dessa vez bora conversar sobre o "box 5 da HarperCollins Brasil", que inclui os livros: Convite para um homicídio, M ou N? e A casa do penhasco.



N'A casa do penhasco vemos o detetive Hercule Poirot de férias, meio que aposentado dos casos/mistérios, mas então uma moça passa pelo caminho dele. Nick Buckley é a dona da casa do penhasco, e ela está passando por digamos uma onda danada de azar porque é carro sem freio, é pedra caindo nela enquanto desce do penhasco, teve até um quadro antigo que quase a esmagou durante o sono etc. Ela tá ruim, tá precisando de um descarrego. 


No entanto, e se há alguém tentando matá-la...? Essa pessoa não parece ter motivos tão óbvios. "Só um louco mata sem razão" assim que começa o livro, e foi isso que mais me chamou a atenção: motivação, tem uma hora que o Poirot faz uma lista de motivos para um homicídio. Lucro? Ódio? Amor transformado em ódio? Ciúmes? Inveja? Medo? Ao infinito...

Essas coisas sempre me lembram que ninguém está livre de cometer algum crime, só precisa daquele empurrãozinho, daquele justificativa. Fora os casos que foram "sem querer" (por negligência, imprudência ou imperícia). 

Mas não vou só para esse lado, essa discussão pode ser levada para qualquer ato humano sendo crime ou não, porque às vezes falta só aquela última gota d'água para transbordar tudo, o que não significa que foi uma coisa isolada que motivou a pessoa e sim um conjunto de fatores, ações, reações, omissões.

"O mal não permanece impune, Monsieur, mas às vezes o castigo passa despercebido."
Página 158 (A casa do penhasco)

Então, vamos para o próximo livro. M ou N? ou no inglês: N ou M? ¯\_(ツ)_/¯

Esse é um livro sobre espionagem! No meio da Segunda Guerra Mundial, Tommy e Tuppence precisam descobrir em uma pensão no... vou falar "Reino Unido" que é pra não errar porque não lembro se era na Inglaterra ou na Escócia... descobrir entre os hóspedes dessa pensão quem é um espião nazista. 

Confesso que dos três esse foi o que menos gostei. Isso se deu mais pela forma que o mistério foi resolvido - foi meio por acaso - do que pelo resto da história: a dinâmica do casal (Tommy e Tuppence) é fantástica, gostei demais dos dois, já até pesquisei outros livros em que eles aparecem; e todo o esquema de espionagem é muito interessante, principalmente o que a pessoa faz para se manter escondida, o plano é bem complexo.


O livro aborda pontualmente vários temas, um dos principais é a velhice. Tommy e Tuppence já são considerado velhos... velhos e imprestáveis o que é pior. Isso ainda é agravado pela situação de guerra, porque eles querem participar de alguma maneira, ir à luta, mas o que sobra é ficar tricotando agasalhos para os soldados e nada mais. 

Durante todo o livro os outros personagens ficam reforçando essa ideia de que a vez deles já passou e que agora não podem mais contribuir com muita coisa. Aí de novo fiquei matutando... até onde esse tipo de pensamento serve realmente para a família/sociedade proteger a pessoa idosa? Ou isso não pode ser muito mais nocivo a elas, gerando uma depressão ou outros problemas? 

 Nós temos que ser mais do que "nascer, crescer, reproduzir e morrer". Lógico que querer descansar após uma certa idade é ótimo, entretanto, isso não é sinônimo de ser inútil ou de ser um estorvo. 

Enfim... Pulando para outro tema:

"Não pode esperar que um homem da rua saiba a distinção que existe entre um alemão e um nazista."
Página 29 (M ou N?)

A presença do "inimigo" está em todo M ou N?, os estrangeiros são os primeiros a serem apontados como culpados, seja refugiados de guerra ou que tenham alguma descendência ou vínculo com determinado país estrangeiro. Claro que em um estado de guerra as coisas são diferentes, mas... mesmo na guerra... uma mãe é uma mãe, não é? (eita, que isso dá quase um funk)

Só p'ra constar: esse livro foi publicado em 1941, no meio da 2ª Guerra Mundial...

"Compreendo que são também seres humanos e que somos iguais. O mal está na máscara que colocamos: a máscara da guerra.

Página 80 (M ou N?)

Mudando de livro, mas continuando no assunto. No Convite para um homicídio, a história se passa no pós guerra - não lembro se é depois da 1ª ou da 2ª - e de novo qualquer pessoa diferente/estrangeira é taxada como culpada número 1, inclusive pela polícia, aí o negócio fica mais sério.

"Acho que o hotel devia tomar mais cuidado com as pessoas que vêm trabalhar aqui... estrangeiros, principalmente. Com um estrangeiro, a gente nunca sabe a quantas anda. Ele era de alguma dessas quadrilhas que os jornais falam?"

Página 48 (Convite para um homicídio)

"De alguma dessas quadrilhas"... hoje poderíamos falar "de algum grupo terrorista de que a mídia fala", e pegando uma frase lá de cima para brincar com ela: "Não pode esperar que um homem da rua saiba a distinção que existe entre um muçulmano e um terrorista".

Só para encerrar: dos três livros o Convite para um homicídio foi o melhor! A trama é justamente o que você está pensando: alguém convida uma galera para um homicídio. "Como assim?" É colocado no jornal do bairro esse convite a todos os amigos da família, mas... não foi a dona da casa quem colocou. 


Tem personagem super engraçado, tem uma senhora que a história dela é de partir o coração (se você tiver um, logicamente), tem muitas mortes, e a cereja do bolo: é um caso da Miss Marple, a velhinha detetive, na hora que eu soube disso já pensei: vixe, no final ela vai quase matar alguém pra pegar o assassino. Dito e feito. Lembro de um livro que ela esperou o assassino colocar a cabeça da vítima no forno... Miss Marple não é normal. S2

Era isso, pessoal. Inté outro dia.






Esse foi um oferecimento do Mês do Horror, porque não há nada mais horrível do que a humanidade. 


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