sexta-feira, 30 de junho de 2017

"3 porquês" para assistir American Gods... ou não




Vim aqui conversar com vocês sobre a série American Gods, baseada num livro do Neil Gaiman. Assisti aos oito episódios da primeira temporada e ainda não sei se gostei ou não... sei lá...

Não li o livro ainda, mas deu pra ver que todo esse conceito de que os deuses precisam da fé dos humanos para existirem/terem forças e os conflitos entre os deuses antigos e os deuses surgidos com a modernidade, como a Media e o Technical Boy, é genial. 

Pois bem, por causa dessa minha indecisão de saber se gostei ou não da história vou elencar três coisas que me chamaram a atenção, aí fica a cargo de vocês:

1. Mitologia. No caso, melhor seria falar em mitologias. A série tem mitologia nórdica, africana (aqui entra a egípcia também, viu?), eslava, irlandesa, tem até a Rainha de Sabá. 

Acompanhar a trajetória desses deuses ao longo dos séculos, quem conseguiu se adaptar, quem tá em decadência etc. é fantásticoE o motivo de todos esses seres estarem juntos em um único país também é muito legal: imigração. No entanto, aqui entra um pouco da minha frustração (talvez gerada pela expectativa, maldita!), porque o nome "American Gods" faz com que eu espere um foco maior neles... né?



Porém, tiveram uns episódios... uns episódios quase que inteiros mostrando não os deuses em si, mas sim os "crentes" desses deuses... nossa, a moça do Leprechaun (o duende irlandês) me impacientou, pensei até em desistir da série.

Ok, é interessante sim mostrar a relação deles com os humanos, no entanto, quase uma hora disso é demais. Às vezes a história nem andava, e foram uns episódios em sequência que dava pra resumir em um só. Sem falar de uns deuses que só passaram mesmo, se eu não pesquisassem quem eram iria ficar sem saber. 

Enfim, achei o meio da série um tanto arrastado, mesmo tento uma coisa ou outra que achei incríveis, um exemplo: a mitologia criada para a série/livro que pegou vários aspectos da vida dos estadunidenses. 


2. Um pouco deles... um pouco de nós. Quando algo é muito venerado acaba sendo personificado em um deus. Na série, vemos uma deusa para a mídia, outra para o sexo, tecnologia, morte e assim vai. Usaram até o Vulcan (o Hefesto grego) para falar da cultura armamentista dos Estados Unidos. 



Várias dessas reflexões sobre as pessoas que vivem nos EUA também valem para nós aqui no Brasil. A mídia, por exemplo, é algo poderoso e perigoso nas mãos erradas, não tô falando só da TV, rádio ou jornal de papel, e sim da mídia de uma maneira mais geral: artistas, youtube, redes sociais, qualquer dessas meios nos influenciam, nós querendo/percebendo ou não.


3. Ostara, Media e Mr. Nancy. Aqui vão os personagens que mais me chamaram a atenção: 



Ostara, a deusa da Páscoa! Podem chamar de Easter também (Happy Easter!). A personagem é toda colorida, parece tranquila, feliz e satisfeita com seu feriado, ou melhor com o ferido de Jesus, ou melhor ainda dos Jesuses (sim, na série há vários, um para cada forma de vê-lo ou interpretá-lo).

O legal é que a Ostara tem uns momentos de raiva: a gente a vê se controlando, tentando manter a classe, mas por dentro dá para ver que ela tá puta da vida, em outros momentos ela deixa escapar mesmo. 

A atriz (Kristin Chenoweth) ficou muito bem no papel, até a voz casou com a personagem. Só temos um problema... ela só aparece no último episódio da primeira temporada... '-' que digo de passagem: foi o melhor, era tudo o que eu esperava desde o início. 



Media, o nome é autoexplicativo, né? Gillian Anderson interpreta a Deusa da Mídia, o David Bowie, a Marilyn Monroe dentre outras tantas personificações da deusa. "Como assim?" Toda a vez que a Media aparece para algum personagem ela se materializa na forma de algum cantor, de alguma atriz, de algum famoso em geral. Isso é muito divertido.    



Anansi, Mr. Nancy, ou Orlando Jones, um deus africano relacionado com aranhas e histórias. Além disso, ele é um trickster (aquele tipo de deus brincalhão com lábia para enganar as pessoas, tipo o Loki). 

Esse teve umas das melhores apresentações. Como não amar o discurso dele dentro de um navio negreiro falando sobre a América?

You want help? Fine. Let me tell you a story. "Once upon a time, a man got fucked." Now, how is that for a story? 'Cause that's the story of black people in America. [chuckles] Shit, you all don't know you black yet. You think you just people. Let me be the first to tell you that you are all black. 

Você quer ajuda? Legal. Me deixem contar a vocês uma história. "Era uma vez, um homem que se fodeu." Agora, como isso pode ser uma história? Porque essa é a história das pessoas negras na América. [risos] Merda, vocês não sabem que são negros ainda. Vocês pensam que são só pessoas. Me deixem ser o primeiro a dizer a vocês que são todos negros. 

Só vi verdades na fala do Nancy. Ainda não tinha parado para pensar que talvez todas as pessoas que foram arrancadas de África para trabalharem como escravas nas Américas não teriam a noção da segregação por causa da cor da pele, realmente ainda não saberiam que eram negros. '-'

Era isso pessoal que eu tinha para dizer. Agora, se eu vou assistir a segunda temporada? Vou sim. Vou na esperança de que todos os episódios sejam tão bons quanto o último da primeira temporada.'Té mais, meu povo e minha pova.


quinta-feira, 29 de junho de 2017

Ursula K. Le Guin e Terramar



Olá, olá, Grifos, Dragões e Sombras \o/

Quero começar dizendo que me senti enganado por essa capa maravilhosa  porque o dragão aparece só em umas cinco páginas e ele não nem o desafio principal, imagina quando eu for ler Dragões de Éter que me disseram que não tem dragão na história XD

Logo de cara já achei duas coisas interessantes:

1. O mundo criado pela Ursula neste livro é um arquipélago gigante (terra, mar), ela foi bem diferentona, porque na maioria das fantasias vemos grandes continentes, grandes cordilheiras de montanhas, grandes não-sei-mais-o-que, e aqui é um monte de ilhas, ainda não tinha vista isso. Ah tem mapa também 

2. Ged, o personagem principal, não é aquele mocinho de pura bondade, inocente, de moral ilibada, e... nossa eu falando desse jeito parece que o menino é um pervertido... não é bem assim, ele só não é aquele protagonista perfeito, e infelizmente ele chega a ser um pouco chato no começo, porque Ged é arrogante, teimoso, se acha, e deixa claro que quer poder e ponto final, chega até a pensar isso sobre o mestre dele: "que vantagem havia em ter poder quando se era sábio demais para usá-lo".


O personagem melhora depois de alguns golpes da vida, às vezes dados por ele mesmo. Tudo isso o torna mais interessante, pois é falho e por causa disso mais humano. Fora essas coisas ainda há a questão de ele ser negro  Não só ele, mas grande parte das pessoas do Arquipélago. 

Lendo o posfácio me deparo com isso: 

"Infelizmente, na época, eu não tinha poder para combater a recusa pura e simples de muitos capistas em colocar pessoas não brancas na capa de um livro."

Página 174

Esse é um assunto que mereceria um espaço só dele, no futuro quem sabe pode rolar um texto aqui para conversarmos ^^ Foi por essa e por outras que comecei a amar essa mulher. Agora fiquei na vontade de ler A Mão Esquerda da Escuridão...

Voltando... No entanto, esse livro não é diferente só em relação ao personagem principal, há uma grande diferença se o compararmos a outras obras de fantasia: não há guerra em Terramar! O tema desse primeiro livro da série é a busca de conhecer a si mesmo, é essa a jornada de Ged. O grande desafio dele é enfrentar uma sombra sinistra que ele mesmo invocou quando jovem, o que faz tecnicamente Ged ser o vilão e o mocinho de sua história.    

"[A Sombra] Estaria em seu rastro agora, buscando aproximar-se dele, para sugar sua força para dentro de si, esvaziar-lhe da vida e cobrir-se com a sua carne."

Página 84

Era isso pessoal. Fica a dica para quem quer ler algo para respirar novos ares ou mesmo está começando a se aventurar na Fantasia. 'Té mais. 


Leia mais mulheres \o/


terça-feira, 27 de junho de 2017

Faca Sutil - "A bússola de ouro 2"


Olá, grifos \o/

A Faca Sutil é o segundo volume da série de livros Fronteiras do Universo de Philip Pullman. Esse é menor livro da trilogia, mas o meu preferido. S2


É nesse livro que o autor termina de rasgar o tecido da realidade, é aqui que a fantasia explode de um jeito incrível. Temos mais das feiticeiras, temos anjos voando, conhecemos mais sobre o pó e temos até um pouco do nosso mundo e de outros paralelos!

No primeiro livro, A Bússola de Ouro (aqui), acompanhamos a aventura da Lyra e do dimon dela em um mundo parecido com o nosso, no entanto com algumas diferença como a de que lá a Igreja domina soberana o conhecimento e o poder dali.

Já neste livro 2 viajamos por vários mundos, mas as críticas à Igreja continuam, claro. Além disso, n'A Faca Sútil há dois personagens principais: a Lyra e o Will. Ele é um garoto de 12 anos do nosso mundo, que tem que arranjar um jeito de fugir... fugir loucamente, porque ele acaba matando uma pessoa. 



Só p'ra piorar a situação: Will precisa cuidar da mãe, pois ela não tem uma saúde mental lá das melhores... Uma das cenas que mais me marcaram foi a do supermercado, onde os dois estão brincando pelos corredores, ao mesmo tempo em que pensei "Muito legal eles se divertindo, mãe e filho", também passou pela minha mente "Nossa, a mãe dele deve tá alucinando e com medo, porque pra ela aquilo é real: os inimigos, o perigo, tudo".


"Will tinha 7 anos de idade quando percebeu que sua mãe era diferente e que ele tinha que tomar conta dela. Estavam num supermercado e faziam uma brincadeira: só podiam colocar alguma coisa no carrinho quando ninguém estivesse olhando. A função de Will era olhar em volta e cochichar 'Agora!', e ela então pegava depressa uma lata ou um pacote na prateleira e colocava no carro. Com a mercadoria dentro do carrinho, eles estavam seguros"


Página 13


Agora sobre a Lyra. Ela vem da aventura do primeiro livro, onde ela acaba atravessando as fronteiras entre os mundos paralelos e encontrando uma cidade meio Peter Pan, já que não há adultos lá, "Ah por que ninguém envelhece?" Não, porque quem chega numa determinada idade morre... pior: tem a alma devorada por seres invisíveis. No caso eles só são visíveis para os adultos, algo como uma inversão dos monstros infantis que só as crianças veem dentro do guarda-roupa ou debaixo da cama.

"Havia um menino, alto, magro, de cabelos negros, que estava tão rodeado pelos seres transparentes que seu próprio contorno parecia desfocado. Eram como moscas em volta da carne. E o menino não tinha ideia disso, embora de vez em quando esfregasse os olhos ou sacudisse a cabeça como se quisesse clarear a visão."

Página 257

Achei perturbadoras essas criaturas. São uns espectros ou umas sombras, que me lembraram muito:

Os dementadores do Harry Potter

E o amigo esfomeado da Chihiro
(A viagem de Chihiro)


Era isso, pessoal. 'Té mais.



Aviso: é altamente perigoso terminar de ler esse livro sem ter em mãos o próximo. 

segunda-feira, 26 de junho de 2017

A Nova Literatura Nacional 😊

Olá, Grifos 💕 Como estão? Esperamos que bem! 

Ontem (25) prestigiamos a segunda edição do evento "A Nova Literatura Nacional", organizado e apresentado pela Amanda e Luara, do instagram De repente, um livro, a Renata do ClumsyLuv (que não pode estar presente) e a Camila, do Colecionadores de Histórias

Fomos apresentados às novas autoras e novos autoras de nossa literatura. Alguns nomes já eram conhecidos, como Carina Rissi, Luiza Trigo, Paula Pimenta, Thalita Rebouças e Maurício Gomyde. Outros soaram novos para a gente e já tratamos de anotar os que mais despertaram nossa atenção (no rótulo da garrafinha de água pois ninguém lembrara de levar um bloquinho, haha 🙃). Os nomes foram: Bruna Fontes (Série Medina-Becker), Raiza Varella (Trilogia Encantados), FML Pepper (Trilogia Não Pare) e Felipe Colbert (Belleville). 

Além de contarem um pouco sobre o enredo das obras, as meninas também divulgaram os próximos lançamentos de cada autor (a). E ao final, rolou um sorteio bem lindo de três livros (dois lançamentos da Thalita Rebouças e o primeiro volume da série Medina-Becket, da Bruna Fontes). Infelizmente não ganhamos os livros, mas saímos com vários marcadores lindíneos 💃💃💃


As imagens não ficaram lá muito proporcionais, mas a gente releva né nom? :D 


Ah, falei que não ganhamos os livros né? Mas eu (Carol) sai com o kit amorzinho do livro Fangirlish, da Tamara Soares. O livro é publicado pela Duplo Sentido Editorial, da qual a Bruna Fontes é uma das fundadoras/administradoras.


Conhecem algum dos autores ou autoras citados? Se sim, quais suas obras favoritas? Assim que tivermos a oportunidade de ler os títulos que destacamos, correremos até aqui pra compartilhar com vocês as nossas impressões, certo? Beijo estalado na bochecha e até mais 🙋😘

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Árabes, fantasia e As Dez Torres de Sangue


"A noite na Araaaaaábia e o dia tambeeeeeeém é sempre tão quente que faz com que a gente se sinta tão beeeeem." 

Não preciso nem dizer o que chamou minha atenção nesse livro do Carlos Orsi: uma história fantástica com uma pegada mais árabe \o/ Só vem. Pode mandar lendas, mistérios e cidades ancestrais com seres mais antigos do que os Homens. 


"Talvez, ela pensou, houvesse verdades dentro de verdades, desesperos alimentando-se de esperanças como uma serpente que devora a própria cauda; talvez a realidade fosse algum tipo de jogo de espelhos, uma infinidade deles, colocados frente a frente, faces vazias refletindo-se entre si."

Algo que eu não esperava era que os personagens possuiriam uma relação com o Brasil, Portugal e a parte do continente africano onde vai se passar a história. "Como assim?" Temos um grupo com um mercenário francês, uma escrava judia, o El-rei de Portugal (Dom Manuel) e a irmã, que viveu um pouco no Brasil, mas teve que sair por causa de umas "tretas".



De início acompanhamos o mercenário com o pequeno grupo no deserto após um naufrágio. Eles estão a sobreviver em África para cumprirem a missão de levar a irmã do rei, Dona Teresa, até Goa (acho que é uma cidade na Índia, não sei).

Esse grupo é atacado e cercado por humanos com partes do corpo substituídas por partes metálicas. Aí o sangue já começa a rolar. Nessa confusão a trupe acaba se separando. E depois de vagarmos no deserto encontramos Antares, a terrível cidade das torres de sangue.



Aí vem uma parte que achei um pouco chata porque quebrou a narrativa para dar algumas explicações e para situar o leitor na mitologia usada. Mesmo que o livro não seja tão grande em quantidade de páginas, eu entendo que a história dentro dele trabalha com vários elementos que nem todo mundo conhece e que realmente alguns precisavam ser explicados, como foi o caso da Kabbalah (eu não sabia nem o que era), mas essa parte foi quase um monólogo. '-' 

Já uma das coisas legais do livro foi o personagem que tomou o posto de personagem-principal. Ele não faz parte da caravana do El-rei e se intitula como o "Filho do Vácuo", "um homem sem pátria, família ou religião". O interessante é que esse cara pode ser entendido como a junção de três religiões monoteístas, uma vez que ele é judeu, um cristão-novo e vive mais próximo do contexto muçulmano.  

Enfim, com elementos de ocultismo a história do Carlos Orsi foca na aventura e me lembrou os escritos do Robert E. Howard, com suas aventuras de capa e espada, lendas ancestrais, um universo um tanto sombrio e cheio de ação. 

Você pode encontrar o livro na Amazon (aqui) ou na Draco (aqui)Se alguém quiser conhecer um pouco da Kabbalah vou deixar um link para um vídeo do canal Conhecimentos da Humanidade (aqui).

Boa leitura. 'Té mais.





#DracoSpirit

domingo, 11 de junho de 2017

The Handmaid's Tale - Uma série que precisam assistir!



 Acabei de assistir três episódios... e preciso desabafar: esta é uma p*ta ficção científica!  É um sci-fi daquelas que focam mais no material humano e social do que na tecnologia e no espaço, tanto é assim que se duvidarmos ou dormirmos dá pra dizer que The Handmaid's Tale se passa amanhã ou depois, tomara que não '-'

Imagine um lugar onde direitos foram negados, há pessoas armadas nas ruas, a intolerância corre solta, você não sabe em quem confiar, pois o governo jogou as pessoas umas contra as outras e parece que todos te vigiam. A cereja do bolo: a religião é usada para justificar tamanha opressão.


No entanto, o foco da série são as mulheres. Nesse mundo, elas são tratadas como objeto, com funções definidas como "para cozinhar", "para ser esposa", "para parir". Cada cena é um chute.

É medonho ver que se um governo quiser fazer o que acontece na série ele consegue. Bloquear as contas bancárias. Declarar um estado de exceção por causa de guerra. Lançar leis autoritárias da noite pro dia. Reprimir com violência manifestações populares. É assustador perceber que isso pode acontecer ou estar acontecendo.

Ai ai... enfim, essa é uma série baseada no livro O Conto da Aia da autora canadense Margaret Atwood. Uma palavra define a história: cruel. Ou quem sabe... "real", seria melhor? 

"Quando massacraram o congresso, nós não acordamos". "Foi assim que deixamos acontecer".


Agora vou ficar aqui... refletindo... e destruído.




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