sexta-feira, 21 de abril de 2017

Desvanecer - Larissa Prado


1... 2... 3... VAI! 

OLÁ, GRIFOS. \o/ Como estão?

Manuela: Bom, aqui no Parágrafos a gente gosta de uns bagulhos bem dark e bem mórbidos e também gostamos de umas problematizações e quando lemos "Desvanecer" da Larissa Prado sentimos um misto de tudo dito anteriormente; gostamos muito da história e vamos partilhar com vocês a discussão que tivemos em torno do enredo e de como este terminou.



Auryo: Se você quiser ler o conto antes de ver nossos comentários é só clicar AQUI ou então AQUI. Em ambos os sites a autora lançou um bocado de contos ^^ Se divirtam. Ah! Só lembrando que aqui teremos leves spoilers.

Carol: De cara já temos um poema de Lord Byron e a pessoa que vos escreve já ficou de olhinhos brilhando, afinal minha geração favorita do Romantismo é a segunda 😻 Conheceremos então um irmão aflito, desesperançoso e cansado de acompanhar o sofrimento da enferma irmã, Adelaide.

Auryo: O tom do conto é bem gótico; a escolha das palavras ajudou bastante nesse clima e na construção dos diferentes sentimentos que pipocam na narrativa como o asco: "pestilenta", "garra horrível e cadavérica", "rosnados", ou um afeto fraternal: "pequena garotinha", "sorriso eufórico e iluminado", "Minha querida irmã". 

Carol: A Larissa escreve de maneira segura e precisa, transpondo em poucas páginas os conflituosos sentimentos do narrador em relação à irmã.
"Meu coração se compadecia e também a odiava secretamente" (p.2).
Auryo: A medicina não consegue compreender essa doença e desiste do caso. Adelaide definha, só nos resta assistir.

Manuela: A narrativa nos dá pouca informação sobre o contexto da vida deles antes da doença de Adelaide, o que é um prato cheio para a imaginação e olha vou dizer que a minha foi longe, imaginei que poderia ser a peste ou alguma outra doença que em algum período fosse desconhecida. Não imaginei que a historia se passasse "nos nossos tempos". Mas essa é a minha interpretação; como eu disse, a autora não narra muito além daquela convivência mórbida deles.


Auryo: Mais alguém lembrou do Evanescence por causa do título?

Carol: Inclusive ouvi dois CD's ontem enquanto acrescentava minhas contribuições à resenha 🙃 Amy Lee: I 💜 U.

Auryo: Voltando... ; ) A parte do terror fica nas mãos do nosso medo pelo desconhecido, ou seja, dessa doença de Adelaide, sem causa ou cura aparente, que acaba a deformando em algo horrendo ao irmão... Além do desespero de não poder fazer nada a não ser aceitar o fim. É uma parada bem "Hello darkness, my old friend".


Manuela: Além do medo da doença desconhecida de Adelaide e no que ela se transformou, o medo dos sentimentos narrador-irmão ou irmão-narrador, parece que a moça não definhou e adoeceu sozinha, levou ele junto; e ele passa a ter pensamentos horríveis; e o leitor sente um misto de revolta e medo. É emocionante e ao mesmo tempo o leitor fica assustado ao perceber que entende certos pensamentos e ate certas atitudes dele. O_O

Carol: A dor de ver a irmã definhar acaba dando lugar a dor de saber que não é possível continuar a presenciar aquilo... O irmão também perde uma parte de si durante esse processo então por mais difícil de engolir e compreender sua atitude ao partir, busquei imaginar como eu me sentiria em tal situação.

Auryo: Sim, sim. Esse terror que acontece mais na mente do personagem, nessa tomada de decisões, na angústia, na culpa de amar e odiar etc. me lembrou dos contos do Edgar Allan Poe. E a questão da doença me lembrou bastante de um livro do Stephen King, O Cemitério, onde uma das personagens tem uma irmã cuja doença a degenera e a torna algo assustador.



Carol: O final do conto segue a perspectiva do restante da história: cru, doloroso e desesperançoso. O narrador quer acreditar (e almeja) na perspectiva de uma nova vida, onde poderia constituir uma família e recomeçar. Mas ele questiona se isso realmente seria possível...

Auryo: Pois é, o final... Não sei se o problema foi comigo, mas senti falta de algo nas últimas frases, algo mais forte ou uma reviravolta, sei lá. O conto começou interessante, cresceu e depois foi murchando, e permaneceu assim até o final. Não sei se esse era um dos objetivos da autora: fazer com que o próprio texto vá desvanecendo... Pode ser. Mesmo assim senti falta de algum impacto final, uma frase p'ra ser o último golpe.

Então era isso que queríamos falar desse conto maravilhoso da goiana Larissa Prado. Obrigado por ler essa loucura toda até aqui. Sintam-se a vontade para continuar essa conversa nos comentários. E bons sonhos para vocês.



#MulheresParaLer



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...