quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

🐄 De gados e homens - Ana Paula Maia



Pois é... mais um tema pesado aqui.

Não sei nem por onde começar. Carne. Matadouro. Animais. Humanos. O livro é bem curto e é uma pancada... vou fazer piadas hoje não. O personagem principal, Edgar Wilson, trabalha como atordoador em um matadouro de bois, vacas, ovelhas etc.

Ele tenta fazer com que os animais não sofram tanto na hora do abate, por isso o atordoador olha nos olhos escuro e vazios dos animais e acerta com uma marreta na testa deles, o crânio se racha e o bicho cai pronto para ser arrastado para outra sala, onde terminarão o serviço. 


"Chama-se rio das moscas, e, desde que os matadouros cresceram na região conhecida como Vale dos Ruminantes, suas água limpas encheram-se de sangue. No fundo desse rio está depositado todo tipo de coisa, orgânica e inorgânica. Humana e animal."

Aquele corredor estreito do matadouro, uma fila de bovinos, o cheiro de medo e de morte, não há como se virar e fugir. Apenas continue andando para frente, logo será sua vez. "Ninguém está impune. Todos são homens de gado e sangue".

Esse livro levantou várias reflexões que ainda tô tentando digerir, desde crueldade contra animais até a condição de gado do ser humano preso em um corredor estreito apenas obedecendo o trajeto, por quê?

...

Antes de acabar o texto necessito divulgar algo: Leia Brasileiros. Esse é um projeto de newsletter, mas o que seria isso? Eles mandam um e-mail todo os dias, menos fins de semana, com um trecho de alguma obra literária de qualquer autor brasileiro, como eles falam, "independente do gênero ou do ano". Foi por meio dessas mensagens que descobri essa maravilha de livro.


— Elas se ajoelham e choram — diz Edgar com a voz baixa, sonolento. 
— Do que você está falando? 
— As ovelhas. Elas te olham, se ajoelham e choram antes de morrer. 
Edgar Wilson dá uma longa tragada no cigarro. Enche os pulmões de fumaça e solta pelo nariz lentamente.

Vou encerrar com essa citação, porque não tenho estruturas para comentar mais. Vou só deitar num canto... tchau.

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