domingo, 18 de dezembro de 2016

Culturas pelo mundo: Memórias de uma gueixa



Olá Grifos? Como estão? Então, hoje, na verdade, estamos dando continuidade a um novo projeto, onde tentaremos estudar junto com vocês determinados aspectos da cultura de alguns países através da cultura de entretenimento que esses países vendem para fora, e de algumas leituras, feitas nesse sentido. E como eu to a mais tempo na labuta de tentar entender alguns países asiáticos, começaremos pelo Japão. Estou nessa busca há quase seis anos e ainda muito a aprender...

"Mas, você se interessou pela Ásia devido a sua cultura milenar riquíssima, não foi?"


Oi?? Ah! Sim, claro! Pela cultura sim. De cara me interessei... <3

 Por agora vamos parar com a zoeira e focar (Não ta fácil com esse gif do Ji Sub Oppa ai em cima mas, #DeusNoComando) hoje vamos falar do livro "Memórias de uma gueixa" do Arthur Golden, um livro que eu passei alguns anos esperando ansiosamente para ler e a Arqueiro, me trouxe de volta a vida, com essa nova edição de 2015. <3
Antes de começar apertem play e entrem no clima:


1. O livro

Através de uma narrativa em primeira pessoa muito cativante, inteligente e divertida, a grande gueixa Sayuri Nitta conta a historia da garotinha chamada Chiyo Sakamoto, de nove anos e lindos olhos azuis herdados de sua mãe; desde do dia que saiu de sua terra natal, no interior do Japão, lá por meados do seculo XIX, com sua  irmã mais velha, Satsu, vendidas pelo pai já muito idoso e preocupado com a possível morte prematura de sua esposa muito adoentada e o destino incerto de suas filhas.

As dificuldades dos primeiros anos em Kyoto e a vida já difícil como criada na Okiya (casa de gueixas) Nitta são narradas de uma forma muito gostosa de se ler. Claro que sofremos com mamãe, que era uma mulher calculista e mesquinha mas, muito inteligente; Hatsumomo, que era a unica gueixa da Okiya naquele momento, e que infernizava a vida da pobre menina só para se divertir; mas, também tinha a companhia de Abóbora, uma outra garota um pouco mais velha que Chiyo, com quem fizera amizade e titia que tinha pena das pobres garotas sempre ajudava no que podia, já que ate mesmo as criadas mais velhas se juntavam a Hatsumomo para atormentar, principalmente Chiyo.





Quando chegou a Okiya, ela não sabia mas, os planos para ela era que se tornasse uma gueixa e que desse muito dinheiro a mamãe e pagasse pelos gastos que está tivera durante seus estudos e treinamento mas, devido a alguns motivos que eu não vou dizer aqui, Chiyo é proibida de estudar para se tornar gueixa e por ela tudo bem já que não queira mesmo aquilo. 
Ate que um dia ela encontra um homem, que na descrição dada por pela narradora (no caso ela mesma), era muito elegante, bonito e gentil; quando já estava por volta dos 14 anos de idade e mesmo assim esse homem a quem ela passou a se referir como "Presidente", era bem mais velho, mesmo assim ela se apaixonou por ele e o transformou em um motivo para mudar de vida e se tornar uma gueixa.
Para isso Mameha teve papel fundamental na vida de Chiyo, ela negociou com mamãe para que ela estudasse para ser gueixa e se tornou a Oneesama(irmã mais velha) da agora conhecida como Sayuri e assim começou a trajetória como uma gueixa maiko (aprendiz). Mameha era a gueixa mais celebrada do momento no Hanamachi (Rua das flores - Onde ficavam varias Okiyas) e uma das mais famosas de Gion, em Kyoto, por isso mamãe lhe deu ouvidos com as negociações...


Preciso tentar me fazer entender acerca do que viria a ser uma gueixa, o que posso dizer é que através dessa e de outras leituras que fiz a respeito, é que gueixas são artistas, elas entretinham pessoas importantes, na época em que se passa essa historia, de fins do seculo XIX ate meados do seculo XX, a maioria das pessoas relevantes em uma sociedade patriarcal como a japonesa, era composta por homens. Elas cantavam, dançavam, contavam historias e piadas ou simplesmente ouviam as pessoas nas chamadas casas de chá, que eram os locais de socialização, além de festas particulares naquela época.


E conforme a leitura vai passando percebemos que a vida de uma gueixa não era nada fácil. Uma gueixa deveria cuidar de sua reputação, ser sempre bela, elegante e habilidosa para que um homem com boas condições financeiras se candidatasse a ser seus Danna, que podemos chamar aqui de um patrocinador, alguém que bancava os gastos de uma gueixa, era uma honra enorme ser um Danna de uma gueixa, esse homem sempre tinha prioridade na agenda da gueixa e frequentemente, se assim fosse do agrado dele haviam relações sexuais. Para saber um pouco mais sobre o assunto clique aqui.


Mas se você caro Grifo está imaginando que eu já contei toda a historia nesses quatro parágrafos está muito enganado.

2. Adaptação para o cinema:

A adaptação para o cinema de 2005, foi de fato muito fiel a historia do livro, é uma obra prima que eu nunca podeira dizer em hipótese alguma que o livro é melhor. Exceto um outro aspecto que o livro trabalha melhor, fora isso tudo foi muito bom, e claro que houveram adaptações e cenas que foram fundidas e cortadas mas isso não tirou nem um pouco a beleza do trabalho feito pelo diretor Rob Marshall. 
As únicas reclamações que tenho é que preferia que as personagens principais como Sayuri e Mameha fossem interpretadas por atrizes japonesas e que as filmagens tivesse sido feitas no Japão, também tem a questão de que por mais que o filme seja bom, você só consegue se aprofundar nas personagens e suas particularidades com a leitura mesmo, e também em algumas passagens da historia.
Conclusão: Assistir o filme é maravilhoso mas, a leitura é inevitável se você gostou do filme e quer saber mais e também é indispensável; caso a ordem se inversa o filme não perde muito em relação ao livro então o grifo não precisa se preocupar muito com aquela velha questão "livro X filme". <3
Assistam ao trailer do filme:

3. Minhas impressões da história:

Sayuri é uma personagem forte que como sua mãe dizia, tinha muita água em sua personalidade, sempre tinha muita pressa e sempre arrumava um jeito de alcançar seus objetivos mas, era também muito irritante com todo aquele drama e vitimismo que ela fazia, sempre se achando a mais sofredora, fora que com o passar do tempo ela se tornou muito arrogante. 
Sem falar naquela obsessão infantil por um homem que ela idealizou, o tal do presidente, mas, conforme ela foi envelhecendo e com as experiencias que ela teve na guerra, ela foi melhorando um pouco. Apesar de não parecer gosto muito dessa personagem, ela não era uma gueixa nata, ela foi aprendendo e pegando os hábitos e ate as superstições, vi traços de sua personalidade que não consegui ver antes no filme.


Outra personagem sem a qual não valeria a pena fazer essa leitura é Mameha, por quem eu tinha tanto afeto quanto por Hatsumomo, mas Mameha me conquistou um pouco mais porque era muito inteligente, manipuladora e calculista, alem de ser desgraçadamente bonita, ela me conquistava sempre que tinha um plano daqueles de botar diplomatas no Oby (Parte da vestimenta das gueixas, mais ou menos como uma fita que amarra às costas com um laço) que eram também fruto de sua experiencia como gueixa.
Hatsumomo era muito passional, ela não se conformara que a partir do momento que decidira se tornar gueixa sua vida não lhe pertencia mais e não sabia como lidar com isso e manipular a situação para alcançar seus objetivos e sofria muito mais por isso do que Mameha, por exemplo, que por sinal ela odiava, por ser a "senhorita perfeitinha" como Hatsumomo chamava Mameha. Mas, essa primeira era extremamente cativante por seus comentários ácidos e inveja latente, ela mostrava seus sentimentos e era impulsiva, linda, diva, uma mistura de amor e ódio. Agridoce. <3


O que mais me fascinou nessa leitura era a "autonomia" das gueixas, quando pensamos que as gueixas estavam em segundo plano mundo masculino, na verdade era o contrario e os homens em alguns momentos se convertiam em simplesmente ferramentas para alcançar estabilidade e segurança, e as vezes elas se apaixonavam por seus Danna como Mameha ou por um pobretão casado de quinta como Hatsumomo ou lutavam para ser a gueixa do homem que amavam como Sayuri, ou eram apaixonadas pelo dinheiro como Mamãe.
No fim era o mundo delas, mesmo que fosse difícil e que dependesse de patrocinadores e de sua reputação/imagem elas tinham muito mais liberdade que as donas de casa, acho que na verdade as amarras eram diferentes mas todas estavam presas de alguma forma, sem mencionar as prostitutas japonesas.


Esperei muito por essa leitura, e valeu a pena cada dia que esperei, por que foi uma leitura muito divertida e emocionante que me permitiu matar um pouco da curiosidade que eu tinha desde que assisti ao filme há um bom tempo atras, nem me lembrou quanto tempo, você pode pensar que a historia é superficial ou uma historia trágica mas, é um grave engano, trata de tradição, da relação familiar, da relação homem e mulher, de uma hierarquia mesmo. 
E ao final da leitura ela te lembra que a vida é feita de altos e baixos mesmo, existem momentos tristes e dramáticos mas, também existem os momentos felizes. Fora que eu adorava quando ela descrevia os quimonos (vestimentas) de gueixa dela e de outras personagens também, os lugares onde ela ia e tudo o mais me encantavam e fizeram a leitura muito mais rica.

Era isso galera, acho que já escrevi demais. Sayonara grifos! o/



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