domingo, 30 de outubro de 2016

Babadook-dook-dook: O horror do luto




Vou logo começar dizendo que esse não é aquele tipo de filme de horror que você fica se cagando de medo, "vou dormir de luz acesa", mas é aquele tipo que você termina e fica: "hum... dá pra tirar altas conversas desse filme, quero alguém pra falar sobre, cadê alguém?". E é pra isso que tô aqui hoje.

É um filme relativamente curto de uma hora e meia mais ou menos dirigido e roteirizado por uma australiana chamada Jennifer Kent, que conta a história da visita do Babadook, um mostro de um livro "infantil", a uma família cuja mãe ainda tenta superar a perda do marido, que morreu num acidente enquanto a levava para o hospital pra dar à luz o filho, hoje um garotinho chato pra caralho de 6/7 anos.


A mãe tem sérias dificuldades em amar a criança. Ela se mostra como se obrigada a abraçar, é quase indiferente ao garoto, quando ele tem um pesadelo e pede para dormirem juntos assim que o menino cai no sono ela se solta dele e se vira, indo dormir no canto mais longe possível da cama. Como se ela associasse a morte do marido com o filho.

Para uma boa noite de sono: nada como uma boa história antes de dormir para acalmar a cria do cão a criança. Nada como escolher um livro que apareceu do nada na estante... Vamos ler Babadook hoje meu filho, vai ser super divertido.



Então Babadook começa a aparecer para o menino. Começa a perturbá-lo, a amedrontá-lo. O comportamento dele fica mais agressivo. E grita e chuta. Tem convulsões ou é possuído. Fica obcecado pelo Babadook, só fala nele. A situação fica tão séria que a mãe rasga o livro e joga no lixo.  

Mas... num dia lá está o livro inteiro no chão da porta da frente. Agora com mais páginas. Mais poderoso. "The More You Deny Me, the Stronger I'll Get" ("Quanto mais você nega, mais forte vou ficar"), essa frase define o filme.

A partir daqui o bicho fica louco: a mãe começa a ver o Babadook também.


"Como você está?" "Ah, tô bem... tô ótima."

Basicamente é um filme de pessoas lidando com a perda, que no começo apenas negavam para todo mundo, que com todas as forças diziam ter superado, diziam estar ótimas. Na verdade, haviam deixado o Babadook entrar. 

O medo, a raiva, o luto, o desejo de matar, a culpa. Babadook é como se fosse a exteriorização de pensamentos e sentimentos reprimidos. A mãe joga pra fora de si por não aguentar mais, e começa a encarar aquilo como se fosse de outra pessoa ou de outro ser. Babadook. Mas de uma forma ou de outra ela terá que enfrentá-lo.
  

Era isso. 'Té mais.




P.S.: achei desnecessário terem mostrado a cara do Babadook, ficou um pouco tosco... fazer o que, né?


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