segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Loucura, fadas e Z - Dois contos da Draco


A toca das Fadas - Clara Madrigano


     Na manhã seguinte, Jack comeu em silêncio. Nós saímos para brincar, mas ele não quis ir para a floresta. Ele sentou na grama e observou as árvores, suas copas distantes, como braços que pudessem vir e pegá-lo.

     À noite, Jack falava em sonhos. Acordava de repente, encarava o nada e suava frio. E eu observava. Eu sempre observava.

Mais uma vez tô aqui encantado por um conto. Já reparei que a Editora Draco tem um trabalho incrível com escritores nacionais, além de uma série de contos de cair o c* das calças.

A Toca das Fadas de Clara Madrigano é algo de uma simplicidade cativante como uma brincadeira de criança, e com personagens tão doces quanto o mel que as fadas devoram. Pelo visto fadas são ótimos elementos de terror principalmente porque são envoltos numa ideia de pureza; subverter aquilo já esperado é o tempero de boas histórias. 

Aqui vemos a inocência da infância em acreditar nas mais fantásticas coisas beirar à loucura, ou não. E o bom é que - igual ao conto O Senhor do Vento já comentado no blog - o conto da Clara tá de "grátis". Aqui \o/


Z - Claudio Parreira



"No meio da rua. Os rostos à minha volta eram todos e um só. Devoravam-se. A pergunta, inevitável: algum nome? A resposta, inevitável: multidão."

O que é real e o que é falso? "Meu nome é Z - falei. - Eu não sou real." Z é outro conto curto e incrível e 0800 (aqui) da Editora Draco que "arrepiou-me a epiderme". O personagem já começa isolado em seu quarto sem móveis, inclusive sem cama. Solidão.

 Loucura? Uma multidão sem rosto. Memórias o alvejando, a dor de mexê-las, de tentar arrancá-las. Sozinho em seu quarto. Sozinho na rua. Sozinho por entre as gentes, até encontrar Ana. Ela se torna algo tocável, um rosto que não se perdeu logo com os dos outros.


  Aqui encerro as indicações de hoje. Até a próxima.

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