quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Grifo Nosso - Simone, campos de concentração e outras coisas



Tenho algo martelando em minha mente, dentre as várias outras coisas, desde que li A Força das Coisas da Simone de Beauvoir (tem um texto do blog sobre o livro aqui)... aqui vão algumas ideias sobre campos de concentração...

"No início da primavera de 1959, foi-nos revelada uma faceta ainda pouco conhecida dessa guerra exterminadora: os campos de concentração.(...) Em abril, o secretário-geral do Socorro Católico, monsenhor Rodhain, promoveu um inquérito do qual divulgou certas conclusões em La Croix: 'Descobri que se tratava de mais de um milhão de seres humanos, em geral mulheres e crianças... Uma proporção considerável, sobretudo entre as crianças, passa fome. Vi, e dou meu testemunho.' Ele calculava em mais de um milhão e quinhentos mil o número de reagrupados. Alguns deles - vira com seus próprio olhos - estavam reduzidos a comer capim. A tuberculose fazia devastações. As pessoas estavam tão debilitadas que nem os medicamentos surtiam efeito."
Páginas 489 e 499

Quando se fala nesse assunto sempre vem correndo à mente, o quê? Nazismo, judeus, o bigodinho do Hitler. Enfim, o foco sempre é lançado encima do lado que perdeu a 2ª Guerra. Mas, o leitor atento vai levantar a mão e perguntar: "e essa data aí: 1959?"  

Pois é, "coma um biscoito, Harry" como pode, né? Se a Guerra acabou em 1945... Primeiro que não foram só os nazistas que cultivaram seus campos de concentração, durante a guerra, se não estou enganado os Estados Unidos montaram alguns pra onde foram levados japoneses que viviam em território estadunidense. Surpresa! \o/

Cena do filme O menino do Pijama Listrado 

Até mesmo no Brasil tivemos os nossos que serviram contra alemães, italianos, japoneses etc que estavam em solo brasileiro. Mas essas coisas a gente deixa debaixo do tapete. Lembrando que nesse período estávamos sob os olhos do Getúlio Vargas.

 Coisa parecida ocorreu na URSS de Stalin... com seus campos de prisioneiros de antes e depois da Segunda Guerra Mundial. E talvez haja uns na Coreia do Norte também.

O livro da de Beauvoir me chamou a atenção por mostrar que somos muito condicionados a olhar apenas prum lado. E o que me surpreendeu mais foi descobrir que, de acordo com a Simone, a França teve seus próprios campos também:

"Todos os franceses sabiam que se havia aberto em seu colo campos parecidos com os da Sibéria, que haviam denunciado com estardalhaço: ninguém protestava."
Página 501

Esse campos foram utilizados durante a luta pela independência da Argélia, colônia francesa até 1962, para onde foram jogados vários argelinos. Muito me admira: a França!, o lugar de lutas pelos direitos humanos, a terra do lema: "liberté, egalité, fraternité". Vergonha, a gente não conhece ninguém mesmo não.


A última coisa que fiquei me perguntando foi: como ficaram as pessoas depois de sair desses lugares? A maioria das histórias são de um pouco antes ou durante os campos, mas e depois? Se eles tiveram o patrimônio confiscado, além de física e mentalmente destruídos, pra onde eles foram?

Será que fizeram igual a abolição da escravatura daqui do Brasil: "Tão livres! Fodam-se agora, eu sou herói"? Não sei... fiquei me perguntando... vou pesquisar depois... Isso aqui foi só pra começar alguma discussão, ou não '-'

Até mais.

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