segunda-feira, 27 de junho de 2016

Serie: Belas, recatadas e do "lar"? Será? #CoragemEAmorPraVida





Maria Bonita era uma mulher corajosa, decidida, acima de tudo apaixonada pelo homem que ela decidiu seguir. Foi menina, criança, amiga, companheira e mãe. Tomou banho de chuva, se molhou em biqueiras e barreiros, fez bonecas de pano e de milho, correu, caiu levantou, amou, sofreu, sorriu, chorou, colheu flores, sentiu o calor causticante do sertão, divisou o verde em certos momentos, foi amada, ferida, feliz e sofrida, foi mulher sertaneja, de brio, forte, serena, severa, amamentou, partiu, voltou, tombou crivada de balas, uma mulher comum, porém com uma história diferenciada de todas as outras de sua época e de seu convívio.
Declaração de João de Sousa Lima, Pesquisador do cangaço brasileiro.
Maria Gomes de Oliveira foi a primeira mulher no cangaço de que se tem noticia, nascida no dia 8 de Março de 1911, no interior da Bahia. Ao entrar para o cangaço passou a ser "Rainha do cangaço" e recebeu o apelido de Maria Bonita da imprensa, que nem ao menos nordestina era. Maria Bonita abriu espaço para que outras mulheres entrassem para o cangaço, esse foi um novo e muito importante capitulo para a historia do movimento.




Não podia deixar de falar da Maria Bonita nesse especial, uma mulher realmente forte; não só porque ela sabia como usar uma peixeira, e tinha uma boa noção de métodos de tortura mas, teve a coragem de fazer tudo aquilo que outras mulheres talvez não tivesse a mesma coragem de fazer em sua época, depois de separar do primeiro marido apaixonou - se por Lampião que passara por seu povoado, no interior da Bahia, entrou para o cangaço e viveu por cerca de dez anos com seu marido.

Obviamente não eram um casal da família tradicional brasileira, eram os lideres de um dos maiores grupos de cangueireiros do nordeste e do Brasil, O movimento do cangaço começou por volta de meados do seculo XIX, e perdurou ate meados do seculo XX, os momentos mais difíceis de seca no Nordeste era sempre de maior atividade dos cangaceiros que roubavam, matavam e sequestravam coronéis e pessoas mais influentes, trabalhando muitas vezes pago pelos coronéis locais para dar fim em seus inimigos. O grupo de Lampião e Maria Bonita foi mais ativo entre 1920 e 1930.




Mas, o leitor Grifo, esperto pode perguntar: "Mas, ela não era uma criminosa? Como ela pode ser um exemplo?" sim, ela compactuou com muitos atos criminosos mas, em meio a uma realidade dolorosa de fome e seca e descaso do governo com o nordeste, a sobrevivência era o mais importante; sem contar com as intrigas politicas e a imagem dúbia que o cangaço e seus representantes tinham, para uns defensores honrados para outros bandidos vis e sanguinários. O leitor decide no que acreditar.

Ambos passaram a ser um marca na historia brasileira e sua historia é romantizada ate os dias de hoje, caso o leitor queira saber um pouco mais sobre o assunto temos aqui um pequeno Documentário. E para encerrar uma coreografia fofa com inspiração na historia de Maria Bonita e seu Lampião.


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