domingo, 19 de junho de 2016

Grifo nosso: Plath & ...


Opa, Grifos! Hoje vim falar sobre poesia - "ECA!"

Que isso jove'?

Esse texto é pra quem tem aquele preconceitinho, preconceitozinho, qual o diminutivo dessa merda?, que acha que poesia é só um negócio meloso e sem sentido, que é só sobre o povo se lamentando de amor, que não fala de mais nada, cheio de frescura... um negócio de "mulherzinha". Venha cá, vamos conversar. 

Herr leitor, pra começar: um poema da Sylvia Plath, que na verdade é a unica coisa que li dela, por enquanto. A Sylvia foi um escritora norte americana que viveu entre as décadas de 30 e 60 (do século XX, ok?). Acho que a obra mais conhecida dela é o romance A Redoma de Vidro.

O outro poema é... como ainda não escolhi, vamos logo falar sobre o primeiro. 

Obs: Herr = senhor em alemão ;P


LADY LAZARUS

Tentei outra vez.
Um ano em cada dez
Eu dou um jeito —

Um tipo de milagre ambulante, minha pele
Brilha feito abajur nazista,
Meu pé direito

Peso de papel,
Meu rosto inexpressivo, fino
Linho judeu.


Dispa o pano
Oh, meu inimigo.
Eu te aterrorizo? —

O nariz, as covas dos olhos, a dentadura toda?
O hálito amargo
Desaparece num dia.

Em muito breve a carne
Que a caverna carcomeu vai estar
Em casa, em mim.

E eu uma mulher sempre sorrindo.
Tenho apenas trinta anos.
E como o gato, nove vidas para morrer.

Esta é a Número Três.
Que besteira
Aniquilar-se a cada década.

Um milhão de filamentos.
A multidão, comendo amendoim,
Se aglomera para ver

Desenfaixarem minhas mãos e pés —
O grande striptease.
Senhoras e senhores,

Eis minhas mãos
Meus joelhos.
Posso ser só pele e osso,

No entanto sou a mesma, idêntica mulher.
Tinha dez anos na primeira vez.
Foi acidente.

Na segunda quis
Ir até o fim e nunca mais voltar.
Oscilei, fechada

Como uma concha do mar.
Tiveram que chamar e chamar
E tirar os vermes de mim como pérolas grudentas.

Morrer
É uma arte, como tudo o mais.
Nisso sou excepcional.

Desse jeito faço parecer infernal.
Desse jeito faço parecer real.
Vão dizer que tenho vocação.

E muito fácil fazer isso numa cela.
É muito fácil fazer isso e ficar nela.
É o teatral

Regresso em plena luz do sol
Ao mesmo local, ao mesmo rosto, ao mesmo grito
Aflito e brutal:

"Milagre!"
Que me deixa mal.
Há um preço

Para olhar minhas cicatrizes, há um preço
Para ouvir meu coração —
Ele bate, afinal.

E há um preço, um preço muito alto
Para cada palavra ou cada toque
Ou mancha de sangue

Ou um pedaço de meu cabelo ou de minhas roupas.
E aí, Herr Doktor.
E aí, Herr Inimigo.

Sou sua obra-prima,
Sou seu tesouro,
O bebê de ouro puro

Que se funde num grito.
Me viro e carbonizo.
Não pense que subestimo sua grande preocupação.

Cinza, cinza —
Você fuça e atiça.
Carne, osso, não há mais nada ali —

Barra de sabão,
Anel de casamento,
Obturação de ouro.

Herr Deus, Herr Lúcifer
Cuidado.
Cuidado.

Saída das cinzas
Me levanto com meu cabelo ruivo
E devoro homens como ar.

Direto do Tumblr Loving Sylvia Plath (aqui)


Pelo visto esse texto vai ficar muito grande, foi mal.

Me veio uma ideia agora: creio que as pessoas têm essa recusa, esse nojo para ler um poema porque elas tratam cada verso (cada linha '-') como um fim em si mesmo, dando ênfase na última palavra e um pausa depois, tipo:

Um tipo de milagre ambulante, minha PELE!
...
Brilha feito abajur NAZISTA!
...
Meu pé DIREITO!
...
Peso de PAPEL!
...
Meu rosto inexpressivo, FINO!
...
Linho JUDEU!

Aí, você se pergunta o que essa louca tá falando. Parece que tá fazendo uma lista de objetos sem sentido: 1. meu pé direito. 2. peso de papel. 3. linho judeu. 


É melhor avisar enquanto ainda tenho tempo: sou um especialista de coisa nenhuma. O que vou escrever agora é só uma dica (se é que posso chamar assim) pra ajudar na leitura de um poema, mas não lembro quem foi que falou isso pra mim, desculpa a você que não lembro. Ah, isso não é uma regra absoluta, é só pra ajudar, leia do jeito que quiser. Essa é só a forma que leio normalmente.

Ok... Tente ler como um texto normal, lembrando de pausar nas vírgulas, e parar nos pontos finais e... Pff Você sabe dessas coisas, eu espero.

"Tentei outra vez. Um ano em cada dez eu dou um jeito — um tipo de milagre ambulante, minha pele brilha feito abajur nazista, meu pé direito (é) peso de papel, meu rosto inexpressivo, fino linho judeu."


Depois é só ir montar e desmontar as frases procurando sentidos diferentes, exemplo: "meu rosto inexpressivo, fino" (de magro), "fino linho judeu" (um tecido de qualidade). Lembrando também que isso é uma tradução.
>.< 

Me veio outra ideia agora: de que todo mundo pode já fazer isso, e eu tô só fazendo papel de idiota. Sendo assim vou me poupar. Encerrar o texto aqui.

"E o outro poema?"

Vai ter não. Pode apagar as luzes e ir embora.

Inté mais ver.

...

P.S.: Esqueci de falar sobre o poema da Sylvia Plath... Bora falar sobre ele então. Dá para ver a referência à Segunda Guerra Mundial claramente, sobre os campos de concentração, as joias e os dentes de ouro arrancados dos judeus dentre outras coisas. O sofrimento. No entanto, mesmo com essas coisas em mente ainda ficam umas frases estranhas... aí você pega e lembra ou pesquisa no Google que a Sylvia se suicidou, e o texto faz mais sentido e fica mais triste. Pelo menos foi isso que entendi. Se descobriu algo mais é só comentar. 

P.S.²: Descobri hoje que esse poema vem de um livro chamado Ariel. Era só isso mesmo, tchau.

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