quarta-feira, 13 de abril de 2016

Simone de Beauvoir - A força das coisas

Eaí grifos \o/

Hoje vim falar sobre a Simone, as únicas coisas que eu sabia sobre a de Beauvoir era:

1. Francesa;
2. Feminista;
3. Possivelmente já não tava mais viva;
4. Escreveu O Segundo Sexo.

Nisso se resumia Simone de Beauvoir para mim... Não tinha nem ideia do período histórico em que ela viveu, ou sobre outras obras dela, enfim era praticamente nada... 

O que li dela até agora foi A força das coisas. Até onde sei esse livro faz parte da autobiografia dela, que são três ao todo (Memórias de uma moça bem-comportada; A força da idade; A força das coisas... é, comecei pelo último).

Esse especificamente vai trazer uma Simone mais madura, já desfrutando da fama de intelectual francesa. Deixa pegar minhas anotações de quando li:

Ele começa num contexto de final da Segunda Guerra Mundial, a França pós ocupação pelos alemães: todos pra baixo, com fome, destruição, medo de a qualquer momento voltar o conflito, as descobertas dos podres na guerra... dos campos de concentração , das bombas sobre o Japão.

"Aquela vitória fora conseguida muito longe de nós; não a esperávamos, como libertação, na febre e na angústia; ela estava prevista a muito tempo e não abria esperanças: apenas punha um ponto final na guerra; de certo modo, aquele fim se assemelha a uma morte; quando um homem morre, quando o tempo para para ele, a vida coagula-se num só bloco, no qual os anos se sobrepõem e se amontoam; assim coagulavam-se atrás de mim, numa massa indistinta, todos os momentos passados: alegria, lágrimas, raiva, luto, triunfo, horror. A guerra terminara: permanecia nos nossos braços como um grande cadáver incômodo, e não havia lugar no mundo onde enterrá-lo."

Página 44


Aí vem algo quase como um diário de viagem, Espanha, Portugal, Norte do continente africano, Itália, China, Alemanha, USA... Tem também um panorama cultural, com músicas (ela gostava de jazz, uia), filmes, livros, peças de teatro tanto as dela quanto as do Sartre (acho que esqueci de mencionar que foram casados).

Teve uns drinques com vários escritores como Hemingway, Albert Camus, Jorge Amado, sim, o nosso Jorge, que serviu até de guia turístico quando ela veio pro Brasil \o/, e foi bizarro vê que com os poucos meses que ela passou aqui já entendeu umas coisas... foi estranho.


"Obrigados a se dobrarem ao mundo ocidental, os negros da Bahia, outrora escravos, hoje explorados, sofrem uma opressão que chega a lhes tirar a posse de si mesmos; para se defenderem, não lhes basta conservar seus costumes, suas tradições, suas crenças: eles cultivam as técnicas que os ajudam a se arrancar, através do êxtase, da personagem mentirosa na qual foram aprisionados; no instante em que parecem perder-se é que se reencontram: eles são possuídos, sim, mas por sua própria verdade."
Página 564



Mas o maior problema que encontrei foi em mim: a política... nossa foram as partes mais sofridas de lê, porque não tenho tanto conhecimento específico da política de alguns países na Guerra Fria: algum conflito em Budapeste, a Argélia querendo deixar de ser colônia francesa.

Além de dezenas de outras situações e mil nomes, gente que é citada uma vez e nunca mais. Ela não vai contextualizar aquela pessoa, descrever como ela é, quem é. A de Beauvoir não vai pegar na mão, tá mais preocupada em contar a história dela. Então, esteja preparado se for ler vai ter nome que vem, que vai embora e você não vai saber nem o sexo daquela pessoa, porque tem uns nomes franceses que... né? ¯\_(ツ)_/¯

Enfim, uma das partes mais interessantes foi "acompanhar" o processo criativo da Simone, os questionamentos que a levaram a escrever O Segundo Sexo (a escolha do título também), e como foram as críticas da época:


"Eu era uma 'pobre mulher' neurótica, uma rejeitada, uma frustada, uma deserdada, uma mulher-macho, uma mal-fodida, uma invejosa, uma amargurada repleta de complexos de inferioridade com relação aos homens, com relação às mulheres, estava roída pelo ressentimento." 

Página 214





Ficha Técnica 

Título: A força das coisas 

Autora: Simone de Beauvoir

Editora: Nova Fronteira

Tradutora: Maria Helena Franco Martins

Páginas: 710


'té mais.

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