segunda-feira, 28 de março de 2016

O curioso caso de Lili.




Meu Grifos queridos, deixem que eu conte para vocês sobre uma moça muito corajosa, chamada Lili.

Antes uma pausa, para que vocês ouçam, o que eu ouço enquanto escrevo essa resenha.



Pessoas são realmente complexas e maravilhosamente diferentes, e desde que as mulheres começaram a lutar por seus direitos (com mais enfase), a porta para o direito a lutar pelo "ser quem você é" e viver em paz mesmo indo contra as convenções sociais, tem sido difícil, mas as vitórias aos poucos têm chegado.



E graças a essa luta que é diária, mulheres, gays, lésbicas, trans, travestis, negros, gordos, magros, crianças e idosos, têm conseguido contar suas histórias, mesmo que ainda sofram com a reprovação a panos quentes da sociedade. Essa entidade misteriosa que nunca está perto o suficiente para que consigamos impedir a violência contra aqueles que não são homens, brancos, heterossexuais e preconceituosos, como o padrão manda. E foi quando alguém decidiu contar a história de Lili Elbe, que consegui entender um pouco melhor acerca da questão e andar alguns passos na direção da saída da caverna escura da ignorância.







"A garota dinamarquesa" é uma adaptação cinematografia da biografia de Lili Elbe (Eddie Redmayne), uma mulher que nasceu no corpo de Einar Wegener (Eddie Redmayne), depois da repressão de sua família ela passa a viver como um homem, Einar, um pintor dinamarquês (ah vá!) e até mesmo se casa com Gerda (Alicia Vikander), uma mulher maravilhosa que a amou em todos os sentidos e de todas as formas possíveis e que não só foi a primeira a ver Lili e a amá-la, como também a ajudou em sua jornada em busca do reconhecimento de sua identidade, Lili foi a primeira pessoa a passar pela cirurgia de mudança de gênero no mundo, isso lá em 1920 - 1930.


 Sobre o filme ainda tem mais alguns pontos que eu gostaria de destacar:

1. A interpretação e a carga emocional:

Não é segredo o fato de que amo atores profundamente, eles conseguem assumir a personagem como sempre sendo sua, e nos fazer entender algo que talvez não conseguíssemos, mesmo conhecendo Lili em pessoa; é exatamente esse o caso do Eddie; acredito que não poderia haver melhor ator para interpretar essas personagens, Eddie deu vida a um Einar que era doce e amoroso, tão tímido e ao mesmo tempo com uma força tão grande, tudo isso vinha de seu verdadeiro eu, Lili era tudo isso e mais, era elegante, delicada, atenciosa e muito meiga; principalmente com Gerda, sua grande companheira e a pessoa que Lili mais amava na vida. Essa foi a interpretação de Eddie, que tenho certeza que fez jus à Lili que viveu há tanto tempo.



Se você não leu nossa resenha do filme The theory of everything, também estrelado pelo Eddie, corre lá lê e depois faz uma "sessão Redmayne", ok? Garantia de amor pelo Eddie e satisfação com os filmes. :D

Quando Lili está começando a se descobrir, cenas emocionantes, como a da imagem acima, ou as cenas em que ele observa outras mulheres, inclusive Gerda, são realmente incríveis, você consegue sentir todo aquele desejo de estar completa, ao mesmo tempo todo o sofrimento que ela passa nesse processo de auto descoberta. Obrigada Eddie por mais essa personagem linda! <3


Justamente com o Eddie, temos a Alicia; não poderia existir alguém que faria uma Gerda melhor! Os sentimentos da Gerda ficavam estampados na expressão dessa mulher, a angústia e a preocupação com a pessoa que ela mais amava, a culpa por ter incentivado Einar a se vestir de mulher pela primeira vez; mas depois percebendo que mesmo ela sabia que era Lili o tempo inteiro; depois disso tudo ainda tinha seus sentimentos como mulher, o homem que ela amava na verdade nunca existiu. Era confuso e Alicia conseguiu mostrar isso para quem assistia ao filme. Uma mulher maravilhosa, interpretada por outro mulher maravilhosamente talentosa. Obrigada Alicia! <3





2. A direção e a fotografia do filme:

Na verdade não tenho muito o que escrever aqui, tenho mais o que mostrar, mas antes queria agradecer e parabenizar também o diretor Tom Hooper, por me fazer tão feliz enquanto chorava tanto.





A fotografia do filme é linda, e tão delicada! Me apaixonei desde o trailer! <3



3. Os questionamentos que traz às nossas mentes.

Por que será que é tão difícil para nós, como humanos, aceitarmos o outro como ele é? Diferente como ele é? Usamos a religião, os padrões sociais e quando nada disso da certo, apelamos para o que é natural. E só lembramos do nosso lado natural quando não há outra alternativa para impedir a coragem do outro de ser quem ele é e fazer aquilo que queremos, mas não ousamos? Não sei. Foram questionamentos que "A garota dinamarquesa" deixou para mim.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...