quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Tinha um oceano no fim do caminho



Esse foi meu primeiro contato com uma obra do Neil Gaiman, e olha que ainda peguei emprestado o livro... Eu havia lido antes umas resenhas pra saber se iria gostar ou não, não sei o que houve, por que as que tava lendo não batiam uma com as outras; parecia que cada texto tava falando de um livro diferente, completamente diferente.


Um dizia ser uma autobiografia, outro falava que era uma fantasia com um menino como personagem principal, outro dizia que era de um adulto que voltava pra uma cidade de infância pra se reencontrar, ou a morte da infância para a vida adulta... Eita bagunça. Só confusão antes de ler.


Na verdade, é um pouco de tudo mesmo, alguém poderia ter avisado, né? Tem, sim, um homem retornando pra uma cidade onde havia passado a infância, pra se reencontrar e reencontrar suas vizinhas e o lago/oceano aos fundos da fazenda delas, as Hempstock, que são três: a avó, a mãe (Ginnie) e a filha (Lettie). E com elas entra a magia na história do Oceano no Fim do Caminho; elas são quase que a deusa tríplice que se vê em várias mitologias: a jovem, a mulher, a idosa, as fases da vida bem resumidas e encarnadas e às vezes misturadas como se fossem uma única pessoa.

"Viva o suficiente e verá os rostos se repetirem com o tempo"
Página 14

Os personagens fantásticos são cheios de mistérios, eles parecem muito poderosos, ancestrais, com uma aura de “sou foda, sou mais velho que o tempo”, como a Ursula Monkton, a vilã do livro, um ser feito de trapos, meio bicho-papão meio governanta em que todos confiam, uma ameaça contra a qual o menino se sente impotente: um ser adulto.

Se isso virar filme, vai ter uma cena que é terror puro ;)



Sendo chato agora: lá estava eu cheio de expectativas pra leitura, nossa Neil Gaiman! Sandman, Deuses Americanos, só ouvia elogios sobre eles, e sobre Coraline também. O livro é excelente, a mitologia é maravilhosa, até demais, poderia dizer até que ela passa o livro, que não cabe só naquelas folhas. Pareceu que Gaiman me levou pra ver pela primeira vez o oceano, deslumbrante! “Olha só isso tudo, mas você só pode ir até aqui” e me deixou bem longe na praia, não vou mentir, foi um pouco frustante, mas...


Essa não foi uma leitura recente, o bom é que é um daqueles livros que deixam alguma coisa estranha na sua mente, que fica voltando, e você fica a pensar na história, aconteceu comigo pelo menos. Aí os pontos negativos com o tempo ficam escondidos na genialidade de pôr “bruxas” especializadas em corte e costura =D é sério, elas podem cortar e remendar a vida/memória das pessoas como se fosse um pedaço de pano (me lembrou das parcas ou moiras da mitologia grego-romana).


"Não tenho saudade da infância, mas sinto falta da forma como eu encontrava prazer em coisas pequenas, mesmo quando coisas maiores desmoronavam. "
Página 169

E... acabou? Por enquanto é só. Se quiser alimente esse texto com comentários. 

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