terça-feira, 28 de julho de 2015

Literatura Piauiense: retire-se (?)


O que você está fazendo aqui? Por favor, se retire, se afaste, vire o rosto, não dê atenção, continue cagando e andando junto com o resto, com os outros.

Ainda...? Ok.

Lembrando que já temos outras discussões sobre literatura piauiense se se interessar:

Nesse texto, vamos conversar sobre aqueles artistas que abandonam suas cidades, estados, países, que traem o movimento, que apunhalam a cultura de sua terra, seu povo em busca do sucesso. Que drama, não?

Pois é... que drama esse de a pessoa ter que migrar pra encontrar um pouco de reconhecimento (uma migalha que seja). Assim se tornam um bando de retirantes com seus livros debaixo do braço, com suas músicas no bolso, seus sonhos no chão.


Por que isso? Porque manifestação artística aqui só as de fácil digestão, só as que se enquadrarem nos requisitos de “pão e circo”, caso contrário: cadê o apoio? Apoio não só monetário como também em relação a atenção do público e da mídia, que não dão a mínima. Como uma ideia pode se desenvolver dessa forma? É algo pra se perguntar: cadê esse tal de apoio? Alguém viu? Nunca vi, nem comi Eu só ouço falar...

Melhor retornar à ideia do segundo parágrafo para os que não sentiram minha ironia. Não basta você ter que sair, você não pode fazer sucesso lá fora, porque ainda vai brotar alguém pra reclamar, criticar sua atitude, dizendo que quem vai pra outro estado/país é um idiota de mente colonizada... tá, tá bem não posso generalizar, talvez exista uns assim, mas nem todos. E para os que ficam de mimimi: estendam a mão não a língua, por favor.

Voltamos por acaso àquele negócio de “Ame ou deixe-o”, não posso amar o Piauí se eu morar em outro lugar? Não posso falar sobre ele, contribuir pra cultura do estado? Sinceramente...
Eu sei que o Torquato Neto gostava daqui(espero que não esteja falando besteira), mas tenho que fazer essa citação, me desculpe se ficar feia:  


“Mamãe, mamãe não chore
A vida é assim mesmo eu fui embora
Mamãe, mamãe não chore
Eu nunca mais vou voltar por aí
Mamãe, mamãe não chore
A vida é assim mesmo eu quero mesmo é isto aqui
[...]
Mamãe, mamãe não chore
Eu quero, eu posso, eu quis, eu fiz, Mamãe, seja feliz [...]”

Enfim... Aqui debaixo das assas de Teresina (Pi) temos uma ‘cultura’ bem enraizada de que nós somos nada \o/ e o que vem de fora é a única coisa que presta, os “importados”. Rejeitamos sentir a presença de nossa cultura, e quando uma vez ou outra perdida algo acontece nos valorizando é recebido com um leve bater de palmas e logo depois uma escarrada de indiferença, nada melhor que o crime do dia, o carnaval-fora-de época da semana.

Ah... não poderia terminar sem mandar aquele abraço pro complexo de vira-lata do brasileiro, sempre presente nas horas mais difíceis, sempre companheiro. Valeu cara!

Pra fechar, vou pôr um trecho de um poema do Cast... Eu sei que não é dele, eu sei que Castro Alves só traduziu, mas que seja; finalizar o texto com um pedaço do poema As três irmãs do poeta de E. Berthoud, pra reforçar com ironia a ideia de que... acho que vocês podem entender por si só:


“’Saúde, irmão! Eu sou a Indiferença.
Sou eu quem te sepulta a ideia imensa,
Quem no teu nome a escuridão projeta...
Fui eu que te vesti no meu sudário...
Que vais fazer tão triste e solitário?...’

— “Eu lutarei!” — responde-lhe o Poeta.”



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