quarta-feira, 18 de março de 2015

A maldição de Magnólia




Capitulo I

“Ainda me lembro de sua beleza refrescante e juvenil e da confiança que ela passava com seu olhar; a Linda Isobel Magnólia encantou esse pobre homem aprisionado pelo nome Marechal que tão me afligia. Isobel foi como o primeiro suspiro logo depois de quase se afogar.

Lembro me bem de seus olhos cor de mel que exerciam um feitiço sobre mim; minha família totalmente adepta aos costumes da Europa do século XVIII, não poderia aceitar que seu primogênito, destinado a herdar sua enorme fortuna, sobrevivente dos novos tempos e novas tecnologias; se envolvesse com uma filha de padeiros, vinda de uma pobreza inadmissível. Mas, o que eu podia fazer? Era como um inseto indo em direção a luz; sabia que ela tinha algo estranho e que tinha um segredo, mas meu amor por Isobel não conhecia limites.

Só não contei a Isobel que também escondia dela um segredo além de sua compreensão.”

- Trecho do diário de Vitor Marechal 1788-

Capitulo II

Reza a lenda que Vitor Marechal e Isobel Magnólia tiveram um amor verdadeiro e puro, mas o casal era de fato inconcebível como apontara a Sra. Marechal, já que a família de Vitor vinha de uma linhagem muito antiga de bruxos e ela era além de muito perigosa e ambiciosa, dedicara sua vida para caçar a família de Vitor, ou seja, vinha de uma linhagem de caçadores de bruxos e bruxas; ela almejava a morte de toda aquela família por suas próprias mãos, mas optou pela morte do único filho e herdeiro não só dos bens materiais, mas dos poderes da família, que nesse caso eram drenados pelo mais novo herdeiro com o passar dos anos ate a morte de seus pais.

Isobel já não tinha mais família, seus pais haviam morrido em busca de bruxos pelo mundo e agora sua filha seguiria seus passos afim de honrar o nome da família. Ela sabia o que fazer fora treinada durante seus 25 anos de idade e agora era chegada a hora de agir. Na semana seguinte usando a profissão que seus pais usavam como disfarce, como desculpa para se aproximar de Vitor, que estava distraído com a leitura de um livro, começou uma conversa casual com seu alvo muito bonito por sinal.

- Bom dia senhor! Gostaria de experimentar um sonho fresquinho?

Quando ele a olho, ela reparou em seus lindos e sinceros olhos verdes, e seus lindos cachos negros emolduravam uma expressão triste e solitária, ela estava distraída com sua beleza, quando ouviu sua voz de um tom melancolicamente melodioso responder:

- Eu adoraria ter um bom sonho essa manha! Me veja uma dúzia deles?

- sim, claro!

- Obrigada, senhorita... ?

- Magnólia

- Que belo nome!

Por algum motivo ela ficara realmente envergonhada e emocionada, mas pensou que era devido a sua inexperiência.

Depois da primeira abordagem, foi mais fácil fazer com que as seguintes acontecessem, e ela logo percebeu que o rapaz havia se apaixonado por ela. Mas e ela?



Capitulo III

“Eu tive que ver o que estava por traz daquele homem que eu busquei toda minha vida afim de mata-lo e acabar com sua linhagem; em todos os encontros às escondidas eu tivemos, não pude negar o quanto ele era infeliz e solitário, o quanto seu nome pesava em suas costas; notei também que desde que nos conhecemos um raio de luz iluminou seu rosto e ele sorria mais vezes na minha presença.

Me peguei feliz por ele estar feliz, se seu coração chorava o meu também chorava; e que meu coração palpitava todas as vezes que recebia seus bilhetes com nosso código secreto no final:

‘Preciso ver os olhos castanhos mais lindos de toda a França!

Código; coçando o nariz!

Marechal. V.’

Foi nesse momento que percebi o dilema em que me encontrava. Amar Vitor ou honrar minha família?”

- Trecho do diário de Isobel Magnólia 1788-

Capitulo IV

O casamento foi assunto para mais de um mês na cidade e quando voltaram da lua de mel, eles ainda eram alvo de fofocas e Isobel alvo da inveja de muitas moças da cidade, mal sabiam elas o que a agora Sra. Vitor Marechal fizera para conseguir se casar.

O novo senhor Marechal estava muito feliz com sua esposa e ficava a cada dia mais forte, enquanto seus pais definhavam pouco a pouco, mas ele sabia que isso aconteceria e não havia como evitar; Sua esposa sempre evitava os sogros, mas fazia –lhes refeições em consideração ao marido. O resto Vitor fazia com ajuda das empregadas da casa.

Ela não esperava que a primeira pessoa que amaria de verdade seria o homem que passara a vida planejando matar e exterminar sua espécie da terra, mas Isobel escolheu honrar sua família ao invés do amor que sentia por Vitor, quando este chegou em casa depois de ir cuidar dos pais, se deparou com um jantar realmente especial, que sua esposa preparara para ele. E perguntou a ela:

- temos alguma ocasião especial?

- só queria agradar você meu amor.

- como um condenado prestes a ir para forca? – ele disse brincalhão.

- Quase isso.

- Entendo...



Capitulo V

Na noite de 31 de outubro de 1789 Isobel dá ao seu querido Vitor uma substancia que sabia que poderia entorpecer os sentidos de um feiticeiro forte; quando se deu conta viu o ódio nos olhos de Vitor que estava agora preso e torpe sem acesso aos seus poderes de forma a conseguir se libertar e impedir a mulher que enchera sua vida de cor e alegria, de mata-lo.

- Isobel, por que está fazendo isso?

- Porque é a honra da minha família, e porque a sua família é uma praga para o mundo.

- então você casou comigo para facilitar seu trabalho de me matar?

- Foi um dos motivos. Também foi por te amar. Querido acho que vou ter que arrancar seu coração, para ter certeza que você não ira sobreviver. Sabe, meus pais também eram caçadores de pessoas como você e sua família e eles morreram assim. Eles me ensinaram tudo com o objetivo de pegar os únicos que eles não conseguiram, os Marechal. Ultimas palavras?

- Eu realmente amei você, e acho que mesmo agora... todas as vezes que uma descendente sua se apaixonar por alguém esse alguém terá a mesma dor que você me casou e morrerá pelas mãos da mulher que ama, ate o seu sangue não existir mais nesse mundo. Ate mesmo esse nosso filho...

Isobel não esperou ate que que Vitor terminasse sua frase e enfiou uma adaga em seu peito abrindo lhe e retirando seu coração.

- Eu amo você querido, e eu vou levar sua maldição comigo.

- Isobel... amo.. você



Capitulo VI

Depois de matar Vitor, ela chorou por algum tempo e queimou seu lindo porte elegante, junto com sua casa e fugiu para um pais vizinho; ela nunca mais fora a mesma, já que o seu proposito de exterminar a linhagem de seu amado, fora quebrado pelo nascimento do pequeno Pierre, que daria continuidade não só a linhagem Marechal como também a maldição que seu pai lançara a sua mãe; Isobel abandonou seu ideal familiar, mas se puniu ficando para o resto da vida como uma Magnólia.

Capitulo VII

Agora passados mais de dois séculos a linhagem continua e a maldição de Vitor faz a historia se repetir com Amelie Magnólia que acabara de matar Felipe Perrot, seu amado, e sem nem mesmo perceber, foi presa e se matou na prisão acabando finalmente com a maldição e com a historia trágica de sua família.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...